Pages

DALEHO IRANDUST

dez. 1, 2020 0 comments

DALEHO IRANDUST

COM MEIO CAMINHO ANDADO RUMO À ELITE DO FUTEBOL, DALEHO IRANDUST QUER SER MAIS DO QUE UM GRANDE JOGADOR DE FUTEBOL. ACIMA DE TUDO QUER SER UM ÍDOLO E UMA REFERÊNCIA PARA A POPULAÇÃO CURDA A NÍVEL MUNDIAL.

Ao longo da história do futebol sueco não foram muitos os anos que o BK Häcken conseguiu fugir à sombra dos principais rivais de Gotemburgo. O melhor que o palmarés dos Getingarna tem para apresentar é um título de segunda divisão conquistado em 2004, bem como um par de Taças da Suécia arrebatados em 2016 e 2019. Em jeito de comparação, recordemos que o IFK Gotemburgo é um dos clubes mais titulados da Europa e até duas Taças Uefa conquistou, alcançando ainda duas meias finais da Taça dos Campeões Europeus. O Örgryte IS que anda pela segunda divisão venceu 12 títulos suecos e até o GAIS tem no seu museu quatro Ligas e uma Taça.

Apesar de ter sido casa de alguns dos bons jogadores suecos da história recente como Kim Kallström ou Tobias Hysén, o Häcken nunca alcançou o título nacional e o mais perto disso que ficou foi um segundo lugar em 2012 então levados às costas por um Majeed Warris indefensável. Hoje a história é bem diferente. Com o Örgryte e o GAIS nas divisões inferiores e o IFK Gotemburgo a atravessar uma crise desportiva que atirou o clube para a luta pela manutenção, é o Häcken que manda na cidade que tem uma das melhores e mais importantes cenas musicais alternativas da Europa, do metal, ao retro rock.

Para tal muito contribuiu Daleho Irandust. Nunca, como em 2020, o Häcken pareceu tão capaz de lutar pelo título e só a inconsistência que assolou todos os conjuntos da Allsvenskan em 2020 o impossibilitou - à exceção do eventual campeão Malmö FF -, mas as vespas de Gotemburgo estiveram sempre à distância do mais titulado clube sueco até final, perdendo a corrida depois de uma série de apenas uma vitória em oito jornadas da liga. Com participação direta em dez golos na Allsvenskan em 2020 – seis golos e quatro assistências -, Daleho Irandust voltou a ser uma das figuras, não só do clube, como de toda a competição.

Nascido e criado em Gotemburgo, e no Häcken desde sempre, este filho de pais iranianos curdos leva já cinco temporadas ao mais alto nível no futebol sueco. Hoje com 22 anos, estreou-se na equipa do Häcken quando tinha apenas 18 anos. Na estreia fez um golo e duas assistências saído do banco. Na temporada de estreia ao serviço do Häcken (2016/17) foi nomeado para revelação do ano depois de dois golos e cinco assistências pelo clube. Desde então foi sempre a subir. Ao todo, são já 119 jogos ao serviço do Häcken, nos quais apontou 23 golos e rubricou 28 assistências. Mais do que isso, aos 22 anos já foi internacional sueco em três ocasiões, depois de passagens pelos Sub-17, 18, 20 e 21 do país.

Podia jogar pelo Irão, país dos pais, mas foi à Suécia que jurou fidelidade. Afinal, apesar de se identificar com o povo curdo, Irandust não se vê como iraniano, não deixando ainda assim de se preocupar com o constante clima de guerra civil e conflito armado internacional que sempre envolve o país, até porque é lá que vivem os pais. “Claro que me preocupo, odeio a guerra”, admite. Irandust é um dos muitos suecos com ascendência curda e iraniana que cresceram no país e, ainda que de forma involuntária, sofrem com a guerra no país asiático – a esse propósito importa recordar um dos melhores artigos escritos (e em português) acerca da comunidade curda na Suécia e a importância do futebol na vida dos mesmos.

“Toda a minha família vem da parte curda do Irão, tanto do lado da minha mãe como do lado do meu pai. É horrível o que se passa constantemente no país. Pessoalmente não estou preocupado comigo, mas sim com a minha família. Mantenho o contacto com os meus pais, sempre preocupado com o que se passa e como eles estão (…) As pessoas geralmente partem do princípio de que me identifico como iraniano por causa do meu nome. Tenho-o devido a pressão das autoridades do regime sobre o meu avô. Ele era um oponente do regime que foi capturado. Devido a isso a nossa família passou a ser chamada de Irandust que significa “amigo iraniano” ou “iranian lover”. É um nome especial, claro, mas eu identifico-me é com as pessoas, não com o país. Amo as pessoas. É o regime que não amo. Foi por imposição que fomos chamados Irandust”, conta à imprensa sueca, admitindo que é pelo povo curdo que tenta ser alguém no futebol.

Houvesse um classómetro no futebol e Irandust certamente bateria níveis recorde. Canhoto de 1’85m, Daleho Irandust destaca-se pela classe e elegância que emprega ao jogo. Altamente criativo, de técnica refinada, é um jogador decisivo no último terço, quer para proveito próprio, quer em prol do coletivo. Os números equilibrados entre golos e assistências estão aí para o provar, mas este é também um dos jogadores com os maiores registos de passes para finalização nos últimos anos de Allsvenskan.

Capaz de jogar em qualquer um dos corredores do meio campo ofensivo, é sobre o central que se assume como jogador diferenciado graças à sua capacidade de criação e de finalização. A inteligência com que interpreta o espaço entre linhas é determinante para o seu sucesso e sucesso coletivo, atraindo marcações e abrindo espaços para os colegas, naquela que é uma movimentação de autor. Descai para os corredores laterais para depois surgir no central surpreendendo marcações em constante mobilidade, nunca se escondendo do necessário trabalho defensivo.

Internacional sueco e uma das figuras da liga do seu país, Daleho Irandust está no ponto para rumar a outras paragens. Será uma questão de tempo até que o nativo de Gotemburgo chegue a uma equipa de uma das grandes ligas do futebol mundial.

Comentários

POSTS RELACIONADOS

{{posts[0].title}}

{{posts[0].date}} {{posts[0].commentsNum}} {{messages_comments}}

{{posts[1].title}}

{{posts[1].date}} {{posts[1].commentsNum}} {{messages_comments}}

{{posts[2].title}}

{{posts[2].date}} {{posts[2].commentsNum}} {{messages_comments}}

{{posts[3].title}}

{{posts[3].date}} {{posts[3].commentsNum}} {{messages_comments}}