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ERIC KAHL

nov. 10, 2020 0 comments
ERIC KAHL

CHEGOU, VIU E VENCEU. EM TEMPORADA DE ESTREIA NO FUTEBOL PROFISSIONAL, ERIC KAHL ESTABELECEU-SE COMO UM DOS JOVENS LATERAIS MAIS ENTUSIASMANTES DO FUTEBOL EUROPEU. FAZER O QUE GOSTA E PELO CLUBE DO CORAÇÃO AJUDA.

Começou a temporada a ser associado ao FC Famalicão, mas tal foi o nível apresentado por Eric Kahl na sua época de estreia e revelação no futebol sueco que o jovem lateral de 19 anos provavelmente termina 2020 no radar e agenda dos maiores clubes europeus – rumores já falam em Liverpool. Seguramente a termina, pelo menos, no radar de todos os principais observadores, profissionais e amadores, que ao longo da temporada tenham prestado atenção à Allsvenskan e, em particular, à jovem e talentosa geração que desponta no AIK (Hussein, Ring, Abraham, Kahl, Tihi, Strannegard).

Retirar Eric Kahl de Solna não será fácil. Para o jovem lateral, o AIK é tudo. “Provavelmente ter-me-ia rido se me dissessem que ia ser titular na equipa. Parece totalmente irreal. É uma grande honra representar o AIK, claro, mas tudo parece um sonho. Jogo pelo clube desde os quatro anos. A minha família, os meus amigos, os meus conhecidos… Todos são adeptos e sócios do AIK. Sou natural de Solna. O meu pai tem o emblema do AIK tatuado no tornozelo e sempre teve bilhete de época no estádio. O AIK significa tudo para mim”, conta à imprensa sueca.

Com participação em vinte e seis dos trinta encontros da Allsvenskan 2020, Eric Kahl teve uma temporada de estreia “arrasadora”. O jovem de 19 anos chegou mesmo à seleção sub-21 da Suécia quando até então não tinha qualquer passado ao serviço dos escalões jovens do seu país, nem tão pouco qualquer minuto enquanto profissional de futebol, fosse no AIK, fosse em qualquer outro clube. Na verdade, só pelo AIK poderia ser possível.

Apesar da ascendência tailandesa (o irmão, Oscar Kahl, joga na segunda divisão tailandesa e chegou a ser convocado para os Sub-23 do país asiático), Kahl nasceu em Solna e a sua carreira futebolística conheceu apenas três cores: o amarelo, preto e branco do AIK. Porém, só em 2020, aos 19 anos, o jovem lateral teve a primeira oportunidade na equipa principal do AIK que surgiu na nova época de cara lavada e com um projeto desportivo que incide particularmente na aposta em jovens talentos da formação. E, com tanta gente nova à porta da explosão, tal não foi uma surpresa.

Mais do que qualquer outro dos jovens da formação do clube de Solna, foi Eric Kahl quem mais aproveitou a oportunidade, ainda que também Hussein, Tihi e Abraham se tenham tornado jogadores importantes na equipa. Primeiro, ainda com Rikard Norling numa posição mais avançada no terreno e, agora, às ordens de Bartosz Grzelak que o recuou no terreno depois de fazer cair o 3x5x2 habitual do antecessor para incutir um 4x3x3 de maior dinâmica e liberdade criativa que melhor serve o talento dos jovens jogadores à disposição do clube de Solna.

Técnico, rápido e explosivo, Eric Kahl demonstrou ser um lateral/ala moderno talhado para jogar em equipas de topo que passem grande parte do tempo em ataque organizado. Particularmente competente no capítulo mais ofensivo do jogo de um lateral, Kahl tem uma propensão ofensiva determinante para as exigências na elite do futebol, compensando uma menor capacidade para defender um para um com uma rapidez e explosividade que lhe permitem muitas vezes antecipar a chegada da bola ao extremo adversário. Resultado? Kahl terminou a temporada com um registo impressionante de interceções por 90 minutos de jogo.

Não fosse a temporada estratosférica de Axel Björnström ao serviço do IK Sirius e não seria escândalo nenhum considerar Eric Kahl o melhor lateral esquerdo da Allsvenskan 2020. O jovem lateral do AIK terminou a época com um dos melhores registos da competição em matéria de interceções e ainda mais impressionante é que parte significativa destas aconteceram no meio campo adversário, sintomático de um jogador que encaixa que nem uma luva num modelo de gegenpressing tão em voga no futebol atual, saltando à vista, mais do que tudo, à disponibilidade e energia que emprega ao seu jogo não tendo medo de partir para o duelo de forma agressiva.

É em Jordi Alba e Alex Sandro que Eric Kahl procura moldar o seu jogo. Acima de tudo, promete aos adeptos uma atuação enérgica em qualquer jogo que dispute com as cores da equipa. “Sempre tive um grande espírito de luta e mentalidade competitiva desde pequeno. Tento tê-la em todos os jogos. Quero poder trazer energia à equipa. Nervos? Porque havia de ficar nervoso a fazer algo que adoro que é jogar pelo AIK? Se sou apaixonado por algo e gosto de o fazer não tenho porque ficar nervoso. É incrivelmente divertido. Faço o meu melhor em campo e tento deixar os adeptos felizes. Se os adeptos não existissem, os clubes também não existiam. Se podes fazer algo que os deixa felizes, deves fazê-lo”.

Como autêntica locomotiva que é, Eric Kahl oferece uma profundidade impressionante ao seu corredor tornando-o perfeito tanto para jogar como lateral como para jogar como ala sendo-lhe entregue todo o corredor. Porém, dada alguma incapacidade para fazer a diferença no último terço, é como lateral que deverá acabar por se fixar deixando as tarefas criativas a cargo do extremo. É que se Kahl é fortíssimo a fazer a bola chegar ao último terço via condução – é incrivelmente rápido, explosivo e tem uma capacidade de drible eficaz – e com isso criar desequilíbrios fruto da supremacia posicional da sua equipa, no capítulo da decisão e da definição, Kahl tem ainda algum trabalho pela frente.

Sintomático disso mesmo é o facto de apesar de ser um lateral de enorme propensão ofensiva e de ter pisado regularmente terrenos no último terço, Kahl ter terminado a época com apenas uma assistência e números relativamente baixos em matéria de passes para finalização. A própria taxa de eficácia de passe, que se cifrou nos 75%, não é maravilhosa, mas parece ser resultado de alguma falta de experiência e capacidade para tomar as melhores decisões em zonas e momentos de maior pressão. Um risco mínimo para tamanho diamante em bruto, são muitos mais os positivos do que os negativos quando falamos de Eric Kahl.

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