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ÍSAK BERGMANN JÓHANNESSON

nov. 10, 2020 0 comments
ÍSAK BERGMANN JÓHANNESSON

A PENSAR E A EXECUTAR, HÁ POUCOS COMO JÓHANNESSON. TEM APENAS 17 ANOS. O CÉU É O LIMITE PARA O JOVEM MÉDIO ISLANDÊS. PODE SER QUEM QUISER. INCLUSIVAMENTE O MELHOR JOGADOR DA HISTÓRIA DO FUTEBOL ISLANDÊS.

Falar de futebol na Islândia é falar de ligações familiares que, ao longo de diferentes décadas, mantiveram viva a paixão futebolística no país e elevaram o futebol a um estatuto de excelência, nos últimos anos, como nunca o país nórdico havia experienciado. O caso da família Guðjohnsen é o mais paradigmático disso mesmo, mas eis que nos últimos meses surgiu em cena Ísak Bergmann Jóhannesson. Após Ísak Bergmann, provavelmente, nada mais será igual no futebol islandês.

Nunca a herança de Eidur Guðjohnsen pareceu tão ameaçada como atualmente. Se hoje é indesmentível que o antigo avançado do Chelsea e FC Barcelona, entre outros, é unanimemente reconhecido como o melhor jogador da história da Islândia, o mesmo poderá não ser dito daqui a uns anos. Aos 17 anos de idade, Ísak Bergmann Jóhannesson faz salivar e tanto é o talento e potencial do jovem médio do IFK Norrköping que podemos mesmo estar a falar do futuro melhor jogador de sempre no país. Secundado por um conjunto de jovens talentos de grande promessa, a nova geração islandesa promete não só repetir os feitos da geração de 2014, como levar a Islândia mais longe.

Sobre a evolução do futebol islandês nos últimos anos já tudo foi escrito. De como aqui chegaram, aos feitos de 2014. É tempo de virar a página e é em Ísak Bergmann Jóhannesson que recaem agora as maiores expetativas no futebol do país. Tal como Eidur Guðjohnsen e de Arnor e Sveinn, antes e depois deste, também Ísak Bergmann Jóhannesson é produto de uma das famílias futebolísticas com maior tradição na Islândia.

Tal como os Guðjohnsen, também os Jóhannesson – não é bem assim que funciona na Islândia, mas fica a ideia – levam várias gerações a impactar no futuro e qualidade do futebol islandês. O avô de Ísak Bergmann, Gudjon Thordarson, foi um dos mais famosos treinadores da história do futebol islandês tendo trabalho em clubes como o Stoke City ou o Barnsley FC. O pai de Ísak Bergmann, Joey Gudjónsson, foi internacional islandês em 34 ocasiões e teve uma passagem relevante pelo Leicester City. Foi, aliás, em Inglaterra, que Ísak Bergmann nasceu, mas é pela Islândia que o jovem médio do IFK Norrköping vai disputando os seus jogos internacionais sendo já presença assídua na seleção Sub-21, começando até a ser já convocado para a equipa principal e, seguramente, Ísak Bergmann será uma das faces da nova Islândia após Erik Hamrén.

A história futebolístico-familiar de Ísak Bergmann Jóhannesson não fica por aqui. O tio, Thordur Gudjónsson foi considerado um dos mais talentosos jogadores islandeses da sua geração. Não é, por isso, surpresa, que Ísak Bergmann Jóhannesson surja. O futebol corre-lhe nas veias e tal é a promessa aos 17 anos que tudo tem para superar os feitos da família e chegar, até, mais longe. Chegar e superar o patamar e fasquia estabelecidos por Eidur Guðjohnsen. De uma versatilidade incrível e, mais do que isso, de uma maturidade e cultura tática quase inacreditável para a idade, Ísak Bergmann Jóhannesson é o tipo de jogador que joga bem em qualquer posição em que seja colocado.

Aos 17 anos, Ísak Bergmann Jóhannesson tornou-se absolutamente fundamental no histórico clube sueco tendo terminado a temporada com três golos e umas incríveis oito assistências. Dono de um pé esquerdo lendário, o jovem médio islandês nascido em Sutton Coldfield – à altura do nascimento, o pai jogava no Wolverhampton Wanderers por empréstimo do Betis que em 2002 tinha pagado mais de cinco milhões de Euros para o tirar da Holanda, onde jogava ao serviço do RKC Waalwijk. O pai jogou ainda em clubes como o AZ, o Aston Villa, o KRC Genk ou o Burnley FC e hoje é treinador do IK Akranes, uma das principais equipas islandesas – passou por quase todas as posições do campo e apesar de ter sido mais utilizado como extremo esquerdo na equipa sueca, é no corredor central que se torna um jogador diferenciado.

Dono de um pé esquerdo que parece ter olhos – qualquer bola parada apontada pelo jovem islandês é uma oportunidade de golo criada -, Ísak Bergmann Jóhannesson é já apontado às maiores equipas do Mundo e os principais rumores dão conta de um interesse muito particular da Juventus, Liverpool FC e Manchester United no seu concurso. Em 2020, só Jake Larsson (IF Elfsborg) e o colega Sead Haksabanovic (IFK Norrköping) assistiram mais golos para os colegas na Allsvenskan e não foram muitos os que terminaram a época sueca com mais passes para finalização/oportunidades criadas do que o jovem islandês. Com valores muito acima da média no que a passes progressivos e passes para o último terço diz respeito, Ísak Bergmann Jóhannesson é o tipo de jogador que faz as coisas acontecerem e que leva a sua equipa para a frente.

Sem pontos fracos assinaláveis e apesar da qualidade técnica de elite – terminou a Allsvenskan com uma taxa de acerto no drible de 61.54% fruto de uma capacidade assinalável para resistir à pressão -, é nos aspetos mentais que Ísak Bergmann mais se evidencia ou não fosse ele um jovem jogador de 17 anos. A maturidade, cultura tática e visão de jogo que já evidencia são impressionantes para idade, bem como a sua competitividade. Protótipo do jogador da nova geração, Ísak Bergmann Jóhannesson é o tipo de atleta que define muito mais a função em campo do que a posição que ocupa, algo determinante para aquela que parece ser a evolução do jogo, pedindo ao jogador que se adapte a diferentes funções ao longo do mesmo jogo. Uma espécie de personificação de Julian Nagelsmann enquanto jogador.

Ísak Bergmann Jóhannesson é o tipo de jogador que se define pela inteligência e sobriedade dos seus movimentos, ações e decisões. Não sendo um mágico ou um monstro físico, compensa estes aspetos com inteligência posicional, ainda que ao longo do encontro seja um poço de sacrifício e nunca se canse de trabalhar em prol da equipa. Com exceção da marcação de bolas paradas onde é efetivamente capaz de fazer a diferença, o seu jogo é acima de tudo pautado pelo equilíbrio que dá à sua equipa e é isso que acaba por causar desequilíbrios. Está sempre no sítio certo à hora certa e toma sempre a melhor decisão quando se trata de soltar a bola. Os números elevados em matéria de passes para finalização são disso sintomáticos. Ísak Bergmann Jóhannesson faz acontecer, o resto, é com os colegas.

Ísak Bergmann Jóhannesson é um jogador que se dá pouco ao erro e que dá fluidez ao jogo da sua equipa por isso mesmo. Qual João Moutinho islandês, equilibra a equipa fruta da sua inteligência posicional e com isso causa desequilíbrios surgindo facilmente em espaços entre linhas no bloco adversário. Jóhannesson move-se nas sombras. É altamente associativo. É um pensador de jogo capaz de ditar os tempos do mesmo. É um jogador que toma decisões ainda antes da bola lhe chegar aos pés. E, quando isso acontece, é um jogador dotado de uma qualidade de passe como poucos. A pensar e a executar, há poucos como Jóhannesson. Tem apenas 17 anos. O céu é o limite para o jovem médio islandês. Pode ser quem quiser. Inclusivamente o melhor jogador da história do futebol islandês.

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