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OSAME SAHRAOUI

nov. 10, 2020 0 comments

OSAME SAHRAOUI

NO QUE A ÉPOCAS DE ESTREIA DIZ RESPEITO, POUCAS DEIXARAM TANTA ÁGUA NA BOCA DO QUE A PROTAGONIZADA POR OSAME SAHRAOUI EM 2020. SE COMEÇAR A TEMPORADA 2021 NA NORUEGA SERÁ UMA SURPRESA.

Houvesse um título para a maior revelação futebolística de 2020 e Osame Sahraoui era um sério candidato a vencê-lo. Aos 19 anos e naquela que foi a sua primeira temporada no futebol profissional revelou uma maturidade, inteligência, visão de jogo e capacidade de decisão impressionantes que compensam o aparente menor atleticismo. Dotado de uma capacidade técnica diferenciada, alia a magia do futebol de rua sul-americano ao cérebro do futebol nascido em laboratório. Se chegar a iniciar a temporada 2021 da Eliteserien será uma surpresa.

Depois do dececionante décimo lugar alcançado com Ronny Deila na temporada 2019, 2020 foi ano de várias mudanças em Oslo. Enquanto Deila rumou a Nova Iorque para assumir o City local, o histórico Vålerenga – vencedor de cinco ligas norueguesas, mas nenhuma desde 2005 – levou para a capital Dag-Eilev Fagermo roubando-o ao Odds BK após o segundo lugar alcançado em 2019, numa demonstração de força por parte do clube. Só assim podia ser, afinal, o talento à espreita nos Boémios a isso obrigava. Entre a constelação de jovens estrelas estava, claro está, Osame Sahraoui.

Nascido em Oslo há 19 anos e de ascendência marroquina, Sahraoui não tinha qualquer minuto no futebol profissional quando em junho de 2020 se estreou pelo Vålerenga, na liga, frente ao Stabæk JF. O impacto de Sahraoui foi tal que praticamente assim que entrou em campo o jovem atacante arrancou logo uma grande penalidade que valeu um ponto à equipa do Vålerenga. Uma apresentação de luxo que viria a marcar muito do que seria a temporada de Osame Sahraoui. Um extremo desconcertante, criativo e praticamente indefensável devido à qualidade técnica que possui, mas acima de tudo, à inteligência futebolística que demonstrou. No final, foram cinco golos e sete assistências. Nada mau para quem nunca tinha jogado a este nível.

Em 2002, Steven Spielberg apresentou ao Mundo “Catch me if you Can”. Osame Sahraoui tinha apenas um ano de vida, não constando que nele pudesse ter sido inspirado. Porém, saísse o filme num futuro próximo seria muito possível que o lendário realizador se pudesse ter escapado rumo ao Norte da Europa para ver Osame Sahraoui jogar. Em dia sim, que são quase todos, o extremo de ascendência marroquina é praticamente impossível de defender com a sua capacidade incrível de controlo de bola e condução da mesma como se esta estivesse colada ao seu pé. Com uma qualidade igualmente impressionante no remate, Sahraoui surge em Oslo como se do irmão futebolístico perdido de Philippe Coutinho se tratasse.

A dificuldade em retirar a bola a Osame Sahraoui ficou refletida no facto de ter sido um dos jogadores com maior número de faltas sofridas na Eliteserien 2020, quer em termos globais, quer em média por 90 minutos. Registos que decorrem especialmente da capacidade de drible de Sahraoui e do seu controlo de bola ao nível da elite futebolística que o assemelham a um jogador de futsal, obrigando muitas vezes os adversários a recorrer à falta para o travar. Mesmo tendo disputado menos minutos do que toda a concorrência, Sahraoui foi um dos cinco jogadores da liga norueguesa que mais dribles concretizou, tendo sido também o quinto jogador com mais dribles em média por 90 minutos, sintomático do controlo corporal e agilidade que o diferenciam, mas ainda mais do poder de aceleração brutal que detém. Essa capacidade para mudar de ritmo repentinamente e de ser explosivo, mesmo que de um jogador cerebral se trate, faz de Sahraoui um jogador com um potencial brutal e muito provavelmente o jogador com o teto mais alto na Eliteserien agora que Jens-Petter Hauge já rumou a Milão.

Capaz de jogar em qualquer uma das posições do meio campo mais ofensivo, num misto de Hazard e Philippe Coutinho, parece ser sobre o corredor central que Sahraoui mais se pode tornar diferenciado, em particular, devido à sua inteligência e criatividade, bem como capacidade para ser decisivo no último terço e em espaços curtos – ainda que a facilidade como desequilibra a partir do corredor esquerdo rumo ao central seja fundamental para desconcertar o bloco defensivo adversário que fazem dele mais um organizador de jogo que executa bem aberto no campo do que propriamente um extremo clássico. Sahraoui acabou a época como um dos jogadores da Liga com mais passes para finalização, bem como com um acerto de passe a roçar os 83%.

Aos 19 anos, Osame Sahraoui tem ainda o futuro internacional em aberto. Em Oslo desde que nasceu, conheceu apenas o Hauketo IF e o Vålerenga IF na carreira, estando neste último desde os treze anos. Apesar de ter sido incluído em vários estágios das seleções jovens de Marrocos foi convocado para os Sub-21 noruegueses em 2020, não se tendo chegado a estrear pelo país nórdico. Em temporada de estreia ao nível do futebol profissional, Sahraoui registou praticamente 1900 minutos ao serviço do histórico emblema de Oslo, ajudando-o a alcançar o desejado terceiro lugar na competição que valeu qualificação europeia ao clube.

No que a épocas de estreia diz respeito, poucas deixaram tanta água na boca do que a protagonizada por Osame Sahraoui em 2020. Criativo e entusiasmante, será uma questão de tempo até clubes de grande calibre iniciarem o leilão pelo extremo do Vålerenga IF. Se começar a temporada 2021 na Noruega será uma surpresa.

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