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ALHASSAN YUSUF

dez. 18, 2020 0 comments
ALHASSAN YUSUF

COM APENAS 20 ANOS, YUSUF JOGA O FUTEBOL DE UM EXPERIENTE MÉDIO DE CLASSE MUNDIAL COM TODA A SAGACIDADE QUE ANOS DE FUTEBOL LHE TROUXERAM. À DISTÂNCIA APRENDEU OS ENSINAMENTOS DO FUTEBOL DE GUARDIOLA E É EM GOTEMBURGO QUE OS VAI COLOCANDO EM PRÁTICA, COM DISTINÇÃO.

Da Dinamarca à Finlândia, passando naturalmente pela Suécia e Noruega, os países e futebol nórdico têm sido uma porta de entrada determinante para muitos dos maiores valores jovens africanos da atualidade. Uma relação estreita que não é de agora. Foi já em 2005, por exemplo, que Jon Obi Mikel saiu da Nigéria rumo ao FC Lyn que, mais tarde, o vendeu rumo ao Chelsea com o sucesso que se conhece. O resto, como se diz, é história. Mais recentemente, foi Chidera Ejuke que se evidenciou ao serviço do Vålerenga IF antes de incendiar a Eredivisie e voltar a subir um patamar rumo ao CSKA Moscovo. Uma relação que ganhou uma dimensão ainda maior com a formação de academias de formação em países como o Gana ou a Nigéria e posterior estabelecimento de acordos de cooperação com clubes nórdicos.

A Right to Dream e o FC Nordsjaelland são talvez o maior expoente desta ligação na atualidade, mas na Nigéria, a Tiki Taka Academy – academia formada por um sueco naquele país africano e que desenvolve jogadores segundo o modelo tático potenciado por Guardiola em Barcelona - deu já ao Mundo um dos mais entusiasmantes valores africanos da atualidade. Ao serviço do IFK Göteborg, Alhassan Yusuf tem-se evidenciado como uma das principais figuras da Liga Sueca e, futuramente, como um dos potenciais candidatos a um lugar no meio-campo da seleção nigeriana ao lado de nomes como Wilfred Ndidi ou Frank Onyeka.

Aos 20 anos, Alhassan Yusuf leva já duas temporadas ao mais alto nível ao serviço do IFK Göteborg, histórico emblema sueco. Depois de ter sido uma das revelações da temporada passada naquela que foi a sua época de estreia como profissional (em 2018 participou em apenas um jogo), tendo mesmo sido eleito o jovem jogador da liga sueca em 2019, Yusuf assumiu-se em 2020, definitivamente, como uma das figuras da competição. Tal foi o nível mostrado num muito medíocre IFK Göteborg que o médio nigeriano parece claramente talhado para rumar a um patamar superior. Não fosse Yusuf – não só, naturalmente, mas principalmente Yusuf - e o IFK poderia ter tido verdadeira dificuldade em manter-se na primeira divisão sueca naquela que seria uma despromoção histórica e humilhante para o antigo campeão europeu.

Contratado pelo IFK Göteborg em 2017 depois de ter impressionado durante a Gothia Cup ao serviço da equipa levada pela Tiki Taka para a Suécia, o desenvolvimento de Yusuf tem sido meteórico desde a chegada à Suécia. Pegou de estaca no segundo ano em Gotemburgo e ao fim de duas temporadas leva quase seis mil minutos de liga sueca nas pernas. Qual duplo-duplo à moda da NBA, Alhassan Yusuf foi um dos dois únicos jogadores da Allsvenskan a rubricar pelo menos quarenta dribles e quarenta tackles esta temporada. Sintomático da dimensão defensiva e ofensiva de Yusuf e do quão completo já é apenas aos 20 anos - o outro foi Leo Bengtsson do BK Häcken.

Dinâmico, versátil e dono de uma omnipresença sobre-humana, Alhassan Yusuf é um daqueles médios capazes de executar qualquer função em campo com a determinação e qualidade de quem está a jogar na sua posição ideal. Protótipo do médio centro do futuro, mais do que a posição, Yusuf define funções em campo e é capaz de se moldar na perfeição às diferentes exigências que o jogo pede e que serão determinantes no futuro, numa altura em que o futebol evolui para uma cada vez maior necessidade dos jogadores cumprirem diferentes funções, mais do que diferentes posições, dentro do próprio jogo.

Longe do típico cliché do médio centro africano, Yusuf é um jogador cerebral, criativo, que domina o jogo através da organização que incute ao momento ofensivo da sua equipa. Um jogador que domina totalmente todos os capítulos do passe, juntando a isso uma energia, tenacidade defensiva e, acima de tudo, inteligência posicional e cultura tática que o diferenciam dos demais médios no futebol sueco. De grande compostura, Yusuf não é jogador que ceda à pressão, saindo de situações apertadas e espaços curtos com facilidade, tanto com a bola controlada, como através do passe. “Yusuf já é um dos melhores jogadores da Allsvenskan defensivamente e tem todas as condições para melhorar ofensivamente. É um jogador incrivelmente impressionante”, afirmou em tempo Poya Asbaghi, antigo treinador do jovem médio em Gotemburgo.

O que torna Alhassan Yusuf especial, porém, é o quão completo mostra ser. Além de ser um exímio passador da bola, sem bola, o jovem médio nigeriano tem uma capacidade impressionante para ocupar espaços e equilibrar a equipa, registando ainda números impressionantes em matéria de recuperação de bola, elevando-se em campo como um misto entre N’Golo Kanté, Naby Keita e Tanguy Ndombelé, mas igualmente comparável a jogadores com o perfil de Mateo Kovacic. Só três jogadores terminaram a Allsvenskan 2020 com mais passes concretizados, ao mesmo tempo, só três jogadores terminaram a competição com mais desarmes efetuados.

Qual Xavi nigeriano, mesmo sem participar frequentemente em momentos de decisão, Yusuf é um jogador criativo. O nigeriano terminou a época com duas assistências e seis oportunidades de golo criadas fruto de 32 passes para finalização, oferecendo uma grande segurança ao ataque posicional da sua equipa. Terminou a época com uma taxa de acerto no passe superior a 87%, tendo sido um dos jogadores com mais passes efetuados para o último terço (e um dos mais eficazes) na liga sueca. E, mesmo quando corre riscos, Yusuf é um jogador eficaz, tendo terminado a competição com uma taxa de eficácia de 77.9% nos passes progressivos que tentou.

Em constante análise e movimentação, Alhassan Yusuf ocupa espaços com mestria e oferece fluidez à organização ofensiva da equipa. Abre sempre uma linha de passe e fruto de um primeiro toque infalível, faz a bola circular de imediato, antecipando a decisão ainda antes de ter a bola no pé. Nada que surpreenda tendo em conta o passado formativo do jovem médio. Take the ball, pass the ball, e nem sempre o passe é curto, seguro e lateralizado. Apesar de não ser isso que o caracteriza, Yusuf não descarta o passe disruptivo, evidenciando sempre a sua ímpar visão de jogo, inteligência e maturidade pouco habitual para um jogador tão jovem.

Com apenas 20 anos, Yusuf joga o futebol de um experiente médio de classe mundial com toda a sagacidade que anos de futebol lhe trouxeram. Surpreendentemente maduro para a idade raramente comete um erro, tomando quase sempre a melhor decisão, destacando-se naquilo que Johan Cruyff considerou ser o mais difícil no futebol: jogar simples. Yusuf é um simplificador e não surpreende que clubes como o Ajax, o Wolverhampton Wanderers ou o Sheffield United venham sendo associados com insistência ao médio nigeriano. A subida de patamar está à espreita ao virar da esquina.

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