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PATRICK BERG

dez. 21, 2020 0 comments
PATRICK BERG

O CAMINHO DE PATRICK BERG RUMO AO ESTRELATO NO CLUBE DO CÍRCULO GLACIAL ÁRTICO NÃO FOI SIMPLES, MAS, HOJE, É ELE QUEM LIDERA O GLIMT. A HERANÇA ERA PESADA, MAS QUANDO SAIR, SAI COMO UMA LENDA E COMO MAESTRO DE UMA DAS MAIS AFINADAS ORQUESTRAS FUTEBOLÍSTICAS QUE O MUNDO JÁ VIU.

2020 será sempre um ano para recordar para o FK Bodø/Glimt. O pequeno clube do norte da Noruega teve um ano imparável e bateu todos os recordes possíveis e imaginários rumo a um inédito título de campeão norueguês. Na verdade, foi mesmo a primeira vez que um clube do norte da Noruega se sagrou campeão nacional, naquele que foi somente o terceiro ano consecutivo do Glimt no regresso à Eliteserien conseguido em 2017. Três anos depois, porém, o Glimt é a mais entusiasmante equipa do país – e até da Europa -, um autêntico vendaval ofensivo e casa de alguns dos mais talentosos jovens jogadores do velho continente.

Para quem acompanhou o Glimt nos últimos meses, ainda antes da atual temporada ter tomado lugar, o título e temporada avassaladora que os amarelos protagonizaram eram algo que vinha sendo anunciado. O Glimt já tinha sido impressionante na época passada quando praticamente todos o apontavam à despromoção, mas terminando 2019 na segunda posição apenas atrás do gigante Molde FK, revelando ao Mundo potenciais talentos para a elite do futebol como Håkon Evjen (agora ao serviço do AZ), Jens-Petter Hauge (agora ao serviço do Milan) e… Patrick Berg.

Em 2020, o FK Bodø/Glimt tornou-se no clube mais a Norte a vencer uma primeira divisão europeia e Patrick Berg foi uma das grandes razões para que tal pudesse ter sido possível. Evjen e Hauge até já saíram para clubes de patamares superiores, mas é Patrick Berg que é, para muitos, o grande segredo para o sucesso da equipa norueguesa. Capitão e autêntico maestro na afinada orquestra de Kjetil Knudsen, Patrick Berg é a âncora que sustenta o ataque avassalador do pequeno Glimt. É a peça chave que faz todo o mecanismo funcionar, o cérebro de todo o futebol do Glimt.

Numa equipa que bateu o recorde de pontos da Liga Norueguesa e lhe bateu o recorde de golos marcados, Patrick Berg é essencial mesmo que não tenha ido além de quatro golos e zero assistências na Eliteserien. O papel de Berg não é esse, afinal. Ao contrário de Hauge, Zinckernagel, Junker e até Saltnes, Berg não pisa terrenos tão avançados e raramente participa em momentos de definição. Porém, dificilmente estes aconteceriam se não houvesse Patrick Berg. É ele que dá início à fase de construção da equipa do Glimt, sendo fundamental para a construção limpa e fluida da equipa do círculo glacial ártico.

Na Liga Norueguesa só três jogadores concluíram a temporada com mais passes efetuados do que Patrick Berg. Sintomático da influência do jovem de 23 anos na equipa do Glimt é também o facto de ter terminado a época como um dos jogadores com mais segundas assistências na competição, ou seja, um dos jogadores que mais passes para assistência realizaram na competição. Indicador importante para perceber o caráter de facilitador que Berg tem na equipa do Glimt, além do perfil de liderança que traz à equipa. Apesar da tenra idade, Berg ostenta a braçadeira já desde a temporada passada, tendo assumido o papel de capitão principal esta época.

Dotado de uma inteligência posicional e cultura tática impressionante, Patrick Berg é um daqueles jogadores que está sempre no sítio certo à hora certa. Além da qualidade que emprega à construção da equipa, sem bola, oferece um equilíbrio determinante para o sucesso defensivo e ofensivo da equipa. Numa equipa com tanta preponderância ofensiva o trabalho defensivo de Berg acaba por não sobressair à primeira vista, mas este foi o segundo jogador com mais desarmes na competição e o terceiro com mais interceções, indicadores reveladores da inteligência que Berg demonstra em campo.

Não sendo particularmente atlético, Patrick Berg compensa essas “limitações” com uma inteligência e visão de jogo muito acima da média e claramente preparadas para a elite, sendo uma mais valia para qualquer equipa que goste de jogar com um pivot à frente da sua linha defensiva. E desengane-se o que estiver a imaginar um pivot defensivo mole à imagem de Andrea Pirlo. Não. Apesar da qualidade ofensiva, Patrick Berg é um defensor tenaz, agressivo nos duelos, e particularmente eficaz nos mesmos.

Só seis jogadores terminaram a temporada com mais duelos defensivos disputados, mas são os números relativos a recuperações de bola em meio campo ofensivo, recuperações de bola por 90 minutos e interceções em meio campo ofensivo que impressionam, além de tudo o resto. Incrivelmente completo, desde características físicas, mentais e técnicas, Patrick Berg é um sonho de médio defensivo e quase custa a crer que Evjen e Hauge tenham acabado por deixar Bodø antes de Patrick Berg.

Patrick Berg tem futebol a correr-lhe nas veias, mas com a tradição vem também grande responsabilidade. O pai, Ørjan Berg, foi uma lenda do clube e até do Rosenborg BK, por quem venceu nove títulos sendo eleito o médio do ano em três ocasiões e, até, o Bola de Ouro da liga norueguesa em 2001. Pela seleção do seu país, Berg pai jogou 19 encontros e marcou um golo. A herança futebolística é forte na família Berg e remonta até a gerações anteriores. O avô de Patrick, Harald, foi internacional pela Noruega em 43 encontros, tendo apontado 12 golos durante os anos 60 e 70. Os tios, Arild e Rune, tal como o pai, foram também lendas do Glimt.

O caminho de Patrick Berg rumo ao estrelato no clube do círculo glacial ártico não foi simples, ainda assim. Tendo feito a estreia pelo Glimt aos 16 anos, foi só em 2019 que Patrick Berg se tornou indiscutível no clube e representou o mesmo em mais de 20 encontros na mesma temporada. Pelo meio experimentou diferentes posições, tendo mesmo chegado a falar-se na saída do clube do coração. Tudo o que Patrick Berg precisava, porém, era de Kjetil Knudsen e de um contexto à sua medida. Numa ascensão impressionante, Berg passou de membro utilitário no Glimt a um dos melhores médios do país, uma trajetória que culminou com a chamada à seleção norueguesa nos encontros mais recentes do país nórdico ainda pela mão de Lars Lagerbäck.

Agora, é Patrick Berg quem lidera a equipa, lhe controla os tempos de jogo e a capitaneia. O dia em que deixar o clube, fechar-se-á um ciclo. Sairá, porém, como uma lenda. Tal como o pai, o avô e os tios.

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