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JESPER LINDSTRØM

jan. 10, 2021 0 comments
JESPER LINDSTRØM

MAIS DO QUE UM JOGADOR QUE DEFINE UMA POSIÇÃO, JESPER LINDSTRØM DEFINE UMA FUNÇÃO EM CAMPO. SE THOMAS MÜLLER OBRIGOU À CRIAÇÃO DO TERMO RAUMDEUTER, O INTÉRPRETE DO ESPAÇO, LINDSTRØM MOSTRA QUE O MESMO NÃO ESTÁ MORTO E TEM NA CAPITAL DINAMARQUESA UMA SEGUNDA VIDA.

No futebol há poucos presságios mais positivos do que quando um jovem jogador se estreia a marcar na primeira titularidade ao serviço de um clube histórico. Parece destinado. Algo especial estará para acontecer. Se esse golo surge num dos clássicos do futebol do país, melhor ainda. Foi assim que, em julho de 2017, Jesper Lindstrøm se anunciou ao Mundo. Na primeira vez que atuou como titular ao serviço do Brøndby IF, único clube que alguma vez conheceu, foi Jobbe quem abriu a contagem no entusiasmante 3-2 perante o OB.

Jesper Lindstrøm não se ficou por aí. Dias depois, entrou aos 90 minutos da segunda mão da segunda pré-eliminatória de qualificação para a fase de grupos da Liga Europa para colocar o Brøndby IF no caminho do SC Braga. Com o 2-1 a favor dos dinamarqueses no marcador, igualando o resultado obtido frente ao Lechia Gdansk na Polónia, o jogo foi para um prolongamento onde Lindstrøm acabou por ser decisivo com dois golos. Em poucos dias, Jobbe assumia-se como uma futura estrela do futebol mundial e tinha parte da capital dinamarquesa aos seus pés.

Com apenas dez minutos disputados ao serviço do Brøndby IF e em todo o futebol profissional ao longo de 2018/19, Jesper Lindstrøm foi uma das grandes revelações da temporada passada na Dinamarca ao participar em 26 dos 36 encontros domésticos do histórico emblema de Copenhaga, para os quais contribuiu com três golos e três assistências, além dos dois golos e assistência que rubricou durante a fase de qualificação para a Liga Europa. O mais impressionante disto tudo, jogando deslocado daquela que é a sua melhor posição, algo confirmado meses mais tarde com um início de temporada arrasador jogando por trás dos dois avançados do Brøndby IF.

Apesar de se ter assumido na equipa principal do Brøndby IF a jogar como extremo, é como terceiro médio/avançado móvel que Jesper Lindstrøm se assume no seu esplendor máximo. Tal já tinha sido evidente na temporada passada com dois golos nos três curtos encontros que disputou nessa zona do terreno, mas principalmente pela forma como partindo do corredor esquerdo quase sempre procurava o central através de um entendimento posicional e capacidade para interpretar o jogo entre as linhas adversárias pouco habitual. Jesper Lindstrøm é um jogador de alta rotação, tem sempre o acelerador a fundo, mas é a sua capacidade de interpretação espacial que mais impressiona.

Lindstrøm deixou água na boca em 2019/20 e surgiu como um verdadeiro tornado na nova época. Agora como médio ofensivo e sempre a jogar sobre o corredor central, a mudança posicional colocou à vista o melhor de Jobbe. Em treze jogos na Superliga ao serviço do Brøndby IF, Lindstrøm leva oito golos e três assistências. Não só é o melhor marcador da prova, como nenhum outro jogador teve participação direta em mais golos em toda a competição. Lindstrøm fez mesmo o pleno ao integrar qualquer uma das equipas de outono da Superliga (quer na votação dos adeptos, quer na votação dos especialistas, quer na equipa ditada pelos índices estatísticos) e foi eleito pelo Tipsbladet – o mais conceituado jornal desportivo da Escandinávia – como o melhor jogador da competição no período anterior à pausa de Inverno.

Registos determinantes para a temporada surpreendente e contra todas as expetativas do Brøndby IF que por esta altura lidera a Superliga em igualdade pontual com o campeão FC Midtjylland, apenas algumas semanas depois de ter sido conhecida a completa debilidade financeira do clube – chegou mesmo a ser colocada a possibilidade do clube ser vendido à Red Bull, hipótese que caiu perante os protestos violentos dos adeptos do emblema amarelo e azul. O histórico de Copenhaga viu-se obrigado a deixar sair elementos fundamentais de forma a baixar a folha salarial, teve de olhar para dentro, mas fruto de uma academia de formação de excelência, deu-se bem. Jobbe é um desses casos. No clube desde 2013, portanto, desde os 13 anos, praticamente toda a vida futebolística do jovem de 20 anos foi passada em Brøndbyvester. A chegada à equipa principal do clube foi um sonho tornado realidade para Jobbe.

“Toda a minha família é adepta do Brøndby e os meus irmãos fizeram questão de passar essa paixão pelo clube também a mim. Conseguiram-no, diga-se, também eu sou adepto do clube e o meu amor pelo mesmo nunca irá morrer. Nem mesmo se um dia acabar a jogar por outro clube na Dinamarca. Não significa que não irei dar sempre o meu melhor por quem jogar, mas o Brøndby é parte da minha vida desde sempre e não há como mudar isso”, admitiu ao site do clube. “O meu objetivo sempre foi jogar regularmente pelo clube e dar sempre o meu máximo. Trabalho duro para isso e foi o sonho de um dia jogar pelo Brøndby que sempre me fez correr. Mesmo quando foi difícil”.

Mesmo hoje, com mais de metro e oitenta, é clara a fragilidade física de Jesper Lindstrøm (apenas 63 quilos de peso), mas se isso tem sido determinante para sua afirmação? Nem de perto. É precisamente a ligeireza e agilidade que permitem muitas vezes a Lindstrøm fazer a diferença. Uma fragilidade que ainda se notava mais em idades jovens, mas que, como tantos outros, obrigou Jobbe a encontrar alternativas que contrabalançassem a questão física. Pensando e executando mais rápido; sendo mais inteligente em campo. Uma inteligência que não se vê apenas na forma como interpreta espaços, vê e antecipa o jogo, mas também na eficácia que acompanha quase todos os seus movimentos.

Cumpridas as primeiras treze jornadas da Superliga, Jesper Lindstrøm surge em segundo na lista de melhores marcadores com oito golos nunca tendo estado mais de dois jogos sem fazer o gosto ao pé. Muitos deles golos decisivos, assumindo preponderância sempre que a equipa necessita de si, surgindo também nos grandes jogos com golos frente ao FC København e ao FC Midtjylland. Sintomático da sua capacidade de decisão e criatividade no último terço é também o facto de só três jogadores terem registado mais passes para finalização até ao momento. Só dois registaram mais passes criativos e só três terminaram a primeira fase da época com mais ações efetuadas no último terço do campo. Só dois jogadores registam mais assistências e só dois têm mais “segundas assistências” do que Lindstrøm.

Qual Thomas Müller dinamarquês, Jesper Lindstrøm define-se pela eficácia das suas ações e movimentações inteligentes. Os seus oito golos foram marcados para um surreal valor de golos esperados de 1.84 xG, algo explicado pela eficácia de Jobbe na hora de rematar. Mais de 45% dos remates endereçados por Lindstrøm foram enquadrados com a baliza e desses 26% deram em golo. Registos superados por muito poucos em toda a Superliga e claramente acima da média na competição. Impressionante são ainda os seus registos em matéria de dribles, quando ainda por cima não se trata de um driblador clássico. Só três jogadores registaram mais dribles do que Lindstrøm e poucos registaram taxas de eficácia superiores aos 48% de dribles ganhos registada pelo jovem atacante do Brøndby IF.

Tudo isto registos que permitiram a Lindstrøm tornar-se no primeiro jogador do clube desde Peter Graulund em 2000 a ser eleito o jogador de outono da competição. Eleição ajudada pelo facto de Jobbe ter sido eleito o jovem jogador do mês de setembro da Superligaen, bem como o melhor jovem e melhor jogador da competição em novembro, mês particularmente prolífico com quatro golos em quatro jogos, aos quais acrescentou duas assistências e um golo em dezembro nos três jogos disputados pelo clube.

Mais do que um jogador que define uma posição, Jesper Lindstrøm define uma função em campo. Se Thomas Müller obrigou à criação do termo Raumdeuter, o intérprete do espaço, Lindstrøm mostra que o mesmo não está morto e tem na capital dinamarquesa uma segunda vida. Dotado de uma classe e capacidade técnica muito acima da média, o elegante jovem médio do Brøndby IF faz o histórico emblema de Copenhada sonhar contra todas as expetativas. O espaço entre linhas é dele.

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