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MAGNUS KOFOD ANDERSEN

jan. 27, 2021 0 comments
MAGNUS KOFOD ANDERSEN

CÉREBRO E MOTOR, KOFOD ANDERSEN É UMA ANOMALIA ESTATÍSTICA. A PROVA DE QUE UM JOGADOR SEM NÚMEROS CONSEGUE SER TÃO IMPORTANTE E TÃO DECISIVO. NÃO DOMINA PROPRIAMENTE ALGUM INDICADOR, MAS ESTÁ ACIMA DA MÉDIA EM PRATICAMENTE TODOS.

Aos 21 anos de idade, Magnus Kofod Andersen é um homem experiente como poucos. Titular no FC Nordsjaelland desde os 18 anos, Kofod Andersen senta-se no banco da equipa desde os 17 e leva já quatro temporadas ao mais alto nível no futebol dinamarquês. Elemento fulcral nos Tigres desde a temporada 2017/18, o jovem médio dinamarquês já soma para lá uma centena de jogos pelo FC Nordsjaelland e carrega praticamente dez mil minutos de futebol profissional nas pernas. Em campo, porém, tal é a maturidade mostrada por Kofod Andersen, que ninguém se surpreendia se esses números fossem bem mais elevados.

Ao serviço do FC Nordsjaelland desde os dez anos de idade, Kofod Andersen confunde-se com a ascensão do clube aos lugares mais altos do futebol dinamarquês. Internacional pelas seleções jovens do seu país, dos Sub-18 aos Sub-21, Kofod Andersen foi até já chamado para a seleção principal da Dinamarca quando em novembro de 2020 a Covid-19 dizimou a convocatória de Kasper Hjulmand e obrigou o antigo técnico de Kofod Andersen no Nordsjaelland a chamar vários jogadores inexperientes a nível internacional. Kofod Andersen não saiu do banco no jogo frente à Suécia, mas ninguém no futuro acredita que lá não chegará um dia.

Fabricado do mesmo molde de onde saiu, um dia, Mathias Jensen, foi como se de destino se tratasse quando, em julho de 2017, Magnus Kofod Andersen saltou do banco do Nordsjaelland, frente ao OB, para se estrear pelo clube de uma vida. Foi precisamente Mathias Jensen quem Kofod Andersen substituiu, dividindo o meio campo com o agora homem do Brentford durante a temporada 2017/18. Entre a estreia oficial pelo clube a braçadeira de capitão no braço, pouco tempo passou. Um ano depois, não só assumiu a liderança do meio campo dos Tigres com a saída de Jensen para Vigo, como herdou a liderança do clube. Aos 19 anos, Kofod Andersen tornava-se capitão do Nordsjaelland.

A decisão do clube diz muito daquilo que o jovem médio é como jogador. Sóbrio, culto, inteligente, Kofod Andersen é um pêndulo e um relógio suíço no centro do terreno do FC Nordsjaelland. Todo o futebol do clube lhe passa pelos pés e, a ele, Kofod Andersen traz equilíbrio. Sem exuberância, mas com muita certeza. Tal qual Mathias Jensen, numa cultura tática e inteligência posicional pouco próprias da idade. Aos 21 anos, Kofod Andersen sabe tudo sobre futebol e apenas por uma vez esta temporada não cumpriu pelo menos 85 minutos num jogo do conjunto dinamarquês. Foi titular nas treze jornadas já disputadas e totalista em nove delas.

Aos 21 anos, Magnus Kofod Andersen é não só uma das figuras do talentoso FC Nordsjaelland, como é mesmo um dos melhores médios da Superliga. Incrivelmente fiável, seguro, Kofod Andersen demarca-se dos demais não só pela qualidade técnica, mas principalmente pela inteligência e cultura tática que imprime ao jogo. Um jogador de equilíbrios que, por isso mesmo, consegue ser tão desequilibrador. O epítome de alguém que, efetivamente, transforma o futebol num jogo simples, facilitando a fluidez do futebol ofensivo da sua equipa.

Kofod Andersen é um jogador que vai além dos números. Um jogador que apenas se explica vendo-o jogar, não surgindo destacado em qualquer capítulo estatístico que se analise. Kofod Andersen é, por isso, uma anomalia estatística. A prova de que um jogador sem números consegue ser tão importante e tão decisivo. Não domina propriamente algum indicador, mas está acima da média em praticamente todos. Kofod Andersen é cérebro e motor. Indispensável ao modelo de jogo de Flemming Pedersen.

Quando pensamos em FC Nordsjaelland é cada vez mais comum confundir o clube com a academia de formação ganesa, Right to Dream. Apesar de serem os ganeses que mais têm incendiado o mundo da observação nos últimos meses (Kudus e Kamaldeen, à cabeça), o clube tem-se notabilizado também pela formação de médios centro diminutos, mas com muito futebol na cabeça. Mathias Jensen foi o primeiro, mas também Mikkel Damsgaard e agora Magnus Kofod Andersen parecem saídos de semelhante molde. Principalmente Kofod Andersen.

Particularmente inteligente, é na cultura tática que Kofod Andersen se diferencia. Um jogador particularmente forte e seguro no passe, está sempre um par de jogadas à frente dos demais. Grande parte dos passes que efetua são passes progressivos ou que colocam os colegas de equipas em posição mais vantajosas do que estavam antes de receber a bola, estabeleceu-se nos dois últimos anos entre os jogadores mais progressivos pelo passe na Europa do futebol. Não sendo um jogador que se destaque por questões atléticas, é até relativamente estático posicionalmente, Kofod Andersen acaba por funcionar um pouco como um quarterback, um organizador de jogo em terrenos recuados.

É através do passe que procura romper a linha defensiva adversária e fá-lo com particular eficácia, especialmente, em passes longos e disruptivos. A sua visão de jogo, capacidade de decisão e execução facilitam depois o trabalho, sendo determinante para o jogo associativo da sua equipa. Já comparado a nomes como Paul Scholes, Modric, Rongier ou Thiago Mendes, é em Kimmich versão médio ou Frenkie de Jong que o jogo de Magnus Kofod Andersen mais se assemelha, mostrando-se perfeito para um meio campo a três, numa função intermédia entre o médio mais defensivo e o médio mais criativo.

Aos 21 anos, Magnus Kofod Andersen já leva mais de uma centena de jogos ao mais alto nível e quase dez mil minutos de jogo nas pernas e isso vê-se sempre que entra em campo. De cabeça levantada, ditando o jogo, facilitando o trabalho de todos aqueles que gravitam em seu redor. Porque Kofod Andersen é isso mesmo: o farol que guia o FC Nordsjaelland. O porto seguro no meio campo dos Tigres. De fato e gravata, em câmara lenta, controlando tudo à sua volta. Cérebro e motor, a prova de que um jogador sem números consegue ser tão importante e tão decisivo.

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