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SEAD HAKŠABANOVIĆ

jan. 19, 2021 0 comments
SEAD HAKŠABANOVIĆ

TER HAKŠABANOVIĆ NO ONZE FOI UMA ESPÉCIE DE FATOR BATOTA NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS PARA O IFK NORRKÖPING. ALTAMENTE CRIATIVO E COM UMA CAPACIDADE DE DECISÃO E EXECUÇÃO ACIMA DA MÉDIA, SEAD HAKŠABANOVIĆ É UMA MÁQUINA DE CRIAÇÃO DE OPORTUNIDADES DE GOLO.

A par de Anders Christiansen, talvez nenhum outro jogador tenha atingido um nível tão alto na Allsvenskan como atingiu Sead Hakšabanović ao longo dos últimos dois anos, aqueles em que competiu na primeira divisão sueca ao serviço do IFK Norrköping. Certamente nenhum outro jovem o fez. Desde 2019 que o extremo sueco internacional por Montenegro se assumiu como uma das figuras da competição, demonstrando estar num patamar acima dos demais. Uma espécie de elemento batota. Depois de ter feito seis golos e oito assistências em 2019, Hakšabanović subiu a parada e assinou sete golos e doze assistências em 2020 numa época de grande instabilidade em Norrköping.

Nas duas últimas temporadas, Sead Hakšabanović teve influência direta em trinta e três golos apontados pelo IFK Norrköping. Nenhum outro jogador lhe chegou perto. Se o ano passado só nove jogadores tinham conseguido marcar/assistir mais do que Hakšabanović, em 2020 o extremo do Peking apenas foi batido por dois homens, ambos finalizadores puros e, por isso, longe do nível de influência total do extremo internacional por Montenegro. Particularmente influente durante a primeira fase da temporada e que precedeu a queda de forma abrupta do IFK Norrköping, Sead Hakšabanović abriu a temporada com cinco golos e sete assistências nos treze primeiros encontros da Allsvenskan.

Ter Hakšabanović no onze foi uma espécie de fator batota nos últimos dois anos para o IFK Norrköping. Sempre que o extremo natural de Hyltebruk soltava a bola criava uma clara oportunidade de golo, fosse para proveito próprio, ou coletivo, algo que ficou evidente nos números alcançados por Hakšabanović em matéria de golos, remates, dribles e passes para finalização nas duas últimas épocas da Allsvenskan. Inicialmente ao serviço do Norrköping por empréstimo do West Ham, Hakšabanović assinou em definitivo com o clube sueco para a temporada 2020 e face aquilo que foi o rendimento do internacional por Montenegro em catorze ocasiões, custa até perceber como o clube inglês o descartou com tamanha facilidade.

Nascido em Hyltebruk há 21 anos, Sead Hakšabanović é um produto da formação do Halmstads BK, clube que representou desde os sete anos de idade até sair para Inglaterra rumo ao West Ham United. Pelo extremo, o clube inglês pagou cerca de três milhões de Euros, uma transferência que surgiu poucos meses depois de Hakšabanović fazer história. Com a estreia oficial pelo Halmstad a ocorrer ainda em 2015, Hakšabanović tornou-se no jogador mais jovem de sempre a atuar pelo clube, bem como o segundo mais jovem de sempre a estrear-se na Allsvenskan. Só Nicklas Bärkroth se estreou na competição em idade mais jovem. Hakšabanović tinha pouco mais de 15 anos.

A chegada ao West Ham não foi a primeira vez que Hakšabanović pisou solo britânico. Em agosto de 2015, meses depois da estreia histórica pelo Halmstad, o pequeno Sead passou parte do verão em testes pelos maiores clubes do futebol inglês, do Manchester United ao Liverpool FC, passando ainda por Aston Villa, Chelsea e Manchester City. Hakšabanović não ficou em nenhum deles, mas assumiu uma posição de relevo no Halmstads BK imediatamente. Se em 2015, temporada de estreia, o jovem extremo não foi além de dez jogos pelo clube sueco, em 2016 já foram 25 e apesar da tenra idade, Hakšabanović festejou oito golos. Em 2017 já só durou meia temporada. Levava quatro golos em 18 jogos pelo Halmstad antes de rumar a Londres a troco de três milhões de Euros.

Internacional jovem pela Suécia em todos os escalões entre Sub-15 e Sub-19, foi já na entrada para o futebol sénior que Hakšabanović se comprometeu com a seleção montenegrina, país de origem da família. “Não estou insatisfeito com a decisão do treinador sueco [deixou-o de fora das opções para o Europeu Sub-19 de 2017]. Eles têm o seu plano bem definido, mas recebi um convite que não podia recusar. Um convite que me é bastante atrativo. Vi nele uma grande oportunidade e decidi agarrá-la. O meu pai e toda a sua família são naturais de Montenegro, visito o país todos os anos e tenho um grande amor por ele”, explicou Hakšabanović em 2017. A estreia aconteceu pouco depois, numa vitória montenegrina por 4-1 sobre a Albânia. Hakšabanović jogou cinco minutos e desde então leva dez internacionalizações pelo país dos Balcãs, tendo sido titular e cumprindo os 90 minutos dos seis jogos da Liga das Nações disputados em 2020.

Hoje, aos 21 anos, Sead Hakšabanović é uma das maiores figuras do futebol do seu país, não deixando, mesmo assim, de ser um dos mais promissores jogadores suecos da sua geração. Desperdiçado pelo West Ham, cumpriu apenas dois jogos pela equipa principal do clube londrino que o emprestou no início da temporada 2018/19 ao Málaga CF, onde não se impôs. As escolhas de carreira de Hakšabanović não foram, até à chegada a Norrköping, as mais inteligentes (dois clubes altamente instáveis), mas nem na Suécia conseguiu fugir à turbulência que sempre o parece acompanhar e que, agora, o fazem querer deixar de novo o país Natal.

A culpa é de Peter Hunt, atual presidente do clube, já apelidado pelos fãs como uma espécie de Donald Trump sueco. Com uma gestão quase a roçar a ditadura, a forma como lidera o clube levou a uma debandada geral em Norrköping após o final da época 2020 e coloca em sério risco a capacidade do histórico clube sueco ser competitivo em 20201. Se até então não se entendia a implosão do Peking na segunda metade da época 2020 após início de época tão promissor, as razões acabaram por saltar à vista aquando da demissão em bloco da direção e equipa técnica como forma de protesto contra a liderança de Peter Hunt.

Sead Hakšabanović foi até mais longe. O extremo montenegrino que passou pelo West Ham antes de assinar em definitivo com o IFK Norrköping conta como Peter Hunt trata todos no clube com o respeito mínimo, como se não passassem de seres invisíveis. Figura máxima do clube nas duas últimas temporadas, Hakšabanović pode estar a caminho de uma das equipas do grupo Red Bull, mas acredita que Peter Hunt está a dificultar o processo. “Eu sei o que o clube pensa, mas a forma como parte do clube atua é bem diferente. O presidente Peter Hunt, por exemplo, trata-me como se fosse invisível e tem zero respeito pelos jogadores, e já estou a ser simpático”. “Não aceito ser chamado de falhado e ingrato, pois não o sou. Pelo contrário, sou a pessoa mais amável que pode existir e qualquer treinador e jogador que tenha trabalhado e jogado comigo pode confirmá-lo. Nunca magoei alguém e é a primeira vez na minha vida que estou a ser tratado com tanto desrespeito. Pelos vistos resulta para Hunt, mas não vou ficar calado nem mentir. Tudo o que disse é cem por cento verdade”, atira o extremo.

Quase sempre como extremo esquerdo, Sead Hakšabanović assumiu-se como um dos maiores desequilibradores a jogar no futebol nórdico nas duas últimas temporadas. Com uma capacidade de desequilíbrio no último terço brutal, Hakšabanović terminou 2020 com valores muito acima da média em matéria de dribles, remates e passes chave. Hakšabanović foi o terceiro jogador com maior índice de assistências esperadas da Allsvenskan, o segundo jogador com mais dribles tentados na competição – o quinto com maior média de tentativas por 90 minutos -, o quinto jogador com mais remates - mas o segundo com mais tiros de fora da área -, mas também o segundo jogador com mais passes para finalização na competição, sintomático da capacidade de desequilíbrio e imprevisibilidade para proveito próprio e coletivo do jovem de 21 anos.

Altamente criativo e com uma capacidade de decisão e execução acima da média, Sead Hakšabanović é uma máquina de criação de oportunidades de golo, sejam para ele, ou para os colegas. Só quatro jogadores terminaram 2020 com mais passes criativos do que Hakšabanović e se o IFK Norrköping pagou menos de três milhões para o resgatar ao West Ham United, é muito provável que o acabe a vender pelo dobro ou triplo desse valor. Ainda assim, pouco para aquele que foi um dos jogadores mais desequilibradores nas duas últimas temporadas na segunda linha do futebol europeu.

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