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ALLAN SOUSA

fev. 17, 2021 0 comments
ALLAN SOUSA

O PASSADO PODE ATÉ JOGAR CONTRA ALLAN SOUSA, MAS O QUE O EXTREMO BRASILEIRO VAI FAZENDO ESTA TEMPORADA É PRÓPRIO DE ALGUÉM BEM CAPAZ DE SE IMPOR NUM PATAMAR MAIS ELEVADO. DIRETO, EXPLOSIVO E ALTAMENTE TÉCNICO, O HOMEM DO VEJLE É UM DOS MAIORES CRIATIVOS E UM DOS JOGADORES MAIS IMPREVISÍVEIS DA SUPERLIGA.

A vida de Allan Sousa é um verdadeiro mistério. Sobre o extremo brasileiro de 24 anos pouco se sabe e basicamente só desde que deixou o Brasil, aos 19 anos, para ingressar no Al-Arabi do Catar existem registos da sua existência. Isso mesmo. Até chegar ao futebol asiático, Allan Sousa era um perfeito desconhecido e praticamente nenhuma pesquisa na internet é frutífera no que ao seu passado diz respeito. De onde veio, onde cresceu, quem o faz futebolisticamente… Nada. Só uma coisa é certa: aos 24 anos, Allan Sousa é uma das figuras da Superliga Dinamarquesa ao serviço do Vejle BK.

Até chegar ao Catar, Allan Sousa nunca havia jogado futebol profissionalmente e a ausência de escola em grandes clubes só agora começa a não ser um problema para o extremo brasileiro. Marcado por uma grande inconsistência e ausência de disciplina tática até há bem pouco tempo, a passagem pela Bélgica ao serviço do Sint-Truiden, em 2019/20, foi determinante para o seu crescimento, permitindo-lhe estar, meses depois, numa posição bem diferente. Hoje, Allan Sousa é um jogador bem mais comprometido com o esforço coletivo e as pontuais birras mostradas dentro de campo durante os primeiros meses na Europa são cada vez mais raras.

Tecnicamente falando, Allan Sousa deve a poucos. O extremo do Vejle BK é dotado de uma qualidade técnica e de uma capacidade de execução próprias de jogadores de outros patamares e se há razão pela qual o extremo brasileiro só agora lá começa a chegar, deve-se em muito a questões mentais e psicológicas, aliadas a uma inteligência tática que só agora começa a ganhar. Para chegar até aqui, Allan Sousa precisou ser domado, mas, hoje, é um dos jogadores que mais desequilibram na Superliga dinamarquesa. Só esta temporada, o extremo de 24 anos leva cinco golos e seis assistências na competição. Apenas dois jogadores na competição participaram de forma direta em mais golos.

Depois de um início de temporada arrasador com cinco golos e duas assistências nos primeiros seis encontros da mesma, o regresso à boa forma do Vejle BK tem muito que ver com o regresso à boa forma de Allan Sousa. Aos 24 anos, o extremo brasileiro ainda peca em matéria de consistência, mas é hoje um jogador mais completo, mais adulto, mais maduro. A passagem pela Bélgica ajudou, mesmo tendo estado longe de encantar, preparando-o para o patamar de exigência próprio de uma primeira liga onde até já tinha estado. Allan Sousa já tinha sido figura no histórico VB em 2018/19, com dez golos na Superliga, não conseguindo evitar a queda do clube à segunda divisão, acabando por não acompanhar o emblema vermelho e branco na temporada de domínio que encetou na segunda liga dinamarquesa.

Em Sint-Truiden, Allan Sousa esteve longe de ser uma das figuras da temporada, mas já deixava a espaços pequenos flashes de genialidade. Terminou a época com três assistências na Liga Belga, o segundo maior registo dentro da sua equipa, tendo sido um dos jovens jogadores da competição com mais passes para finalização na mesma, principalmente, em média por 90 minutos jogados. Utilizado em praticamente todas as posições possíveis e imaginárias, mais do que qualquer outra coisa, a passagem pela Bélgica foi a escola tática e posicional que Allan Sousa precisava na sua carreira para chegar a outro patamar. Os sucesso individual até pode ter sido comprometido durante alguns meses, mas o ganho para o que ainda aí vem na carreira, é inegociável.

A utilização de Allan Sousa como ala esquerdo num esquema de três centrais, ficando a cargo do brasileiro todo o corredor foi o atirar às feras que o jovem de 24 anos precisava. Cresceu pessoal e profissionalmente e os resultados estão à vista na presente temporada, revelando uma evolução que surpreendeu quem já o conhecia e não lhe atribuía um futuro particularmente promissor. “Por algum motivo os grandes clubes dinamarqueses nunca olharam para ele”, pode ler-se por aí. Aos complexos recursos técnicos e criativos que Allan Sousa já detinha naturalmente, o extremo brasileiro ganhou disciplina. Hoje defende muito melhor, ataca igualmente bem e os casos de indisciplina extra futebol parecem ter terminado.

No Vejle BK, o papel de Allan Sousa é bem diferente daquele que detinha em Sint-Truiden. Com menos despesas defensivas, o papel do extremo é mais criativo e ofensivo e de clara definição no último terço. A sua colocação sobre o corredor direito, por parte de Constantin Galca, é o assumir de que está ali um jogador imprevisível, capaz de retirar um coelho da cartola a qualquer momento. Canhoto a jogar sobre o corredor direito, Allan Sousa ganha com esse papel uma capacidade especial para ferir o adversário dos mais diversos modos, nunca este sabendo se o extremo brasileiro vai atacar a linha, ou o corredor central de forma a explorar o seu excelente remate e poder de finalização.

Como extremo direito, Allan Sousa é muito difícil de defender. Nem sempre consistente ou de tomada certa de decisão, o homem do Vejle é ainda assim dotado de um skill set assinalável e em dia sim, tão bom como os melhores na sua posição, num estilo que em muito se assemelha ao do antigo leão Raphinha pela sua explosividade em espaços curtos, verticalidade e interesse em ser sempre decisivo e levar ele próprio a equipa para a frente. No que à criação de oportunidades de golo, para si e para os colegas de equipa, poucos se lhe equiparam e a participação direta em onze golos do Vejle BK esta temporada são disso elucidativos.

Se dúvidas houvesse acerca do talento de Allan Sousa, a temporada 2020/21 certamente as terá dissipado. O extremo de 24 anos do Vejle BK é hoje um jogador diferente daquele que se conhecia, para melhor. Dono de um pé esquerdo venenoso, Allan Sousa é uma máquina de criação de oportunidades de golo, quer em jogo posicional, quer em situações de bola parada como recentemente no empate a dois golos frente ao FC Nordsjaelland em que assiste Arbnor Mucolli na sequência de um livre direto. Só Pione Sisto efetuou mais passes para finalização, com o extremo do Vejle BK a registar uma média de praticamente um passe chave por cada 90 minutos jogados – a quinta melhor média da competição.

Allan Sousa vai ainda registando taxas de eficácia muito acima da média em matéria de passe, cruzamento e drible, bem como de eficácia no remate, enquadrando com a baliza grande parte dos remates que efetua, sintomáticos de um jogador altamente criativo e capaz de fazer a diferença individualmente, mas colocando sempre essa qualidade em prol do coletivo. O extremo do Vejle é também um dos dez jogadores da Superligaen com mais dribles efetuados e com maior taxa de eficácia nesse aspeto, sendo extremamente forte na resistência à pressão.

O passado pode até jogar contra Allan Sousa, mas o que o extremo brasileiro vai fazendo esta temporada é próprio de alguém bem capaz de se impor num patamar mais elevado. Direto, explosivo e altamente técnico – tem um toque de bola praticamente infalível cometendo muito poucos erros técnicos -, o homem do Vejle é um dos maiores criativos e um dos jogadores mais imprevisíveis da Superliga. Enérgico, vivo e sempre positivo com a bola nos pés, Allan Sousa é um jogador eletrizante e apaixonante que gosta de ser protagonista e de levar a sua equipa para a frente. Em suma, o tipo de jogador que leva pessoas aos estádios. Bem podia ter sido dito por Freitas Lobo: Allan Sousa é futebol em estado puro.

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