Pages

ANDREAS SCHJELDERUP

dez. 13, 2021 0 comments
ANDREAS SCHJELDERUP

COM UMA CAPACIDADE TÉCNICA E DECISÓRIA MUITO ACIMA DA MÉDIA, ANDREAS SCHJELDERUP NÃO SAI FAVORECIDO PELO CONTEXTO COLETIVO QUE ENCONTRA POR ESTA ALTURA EM FARUM, MAS COMPENSA-O COM INEGÁVEL E IMPRESSIONANTE QUALIDADE INDIVIDUAL

Por estes dias já não é apenas no território local que o futebol norueguês dá cartas. A ascensão a fenómeno futebolístico, aliado ao aumento reputacional da formação daquele país levou a que cada vez mais jovens deixem a Noruega para se aventurar no estrangeiro ainda antes da estreia ou afirmação como profissionais. Por Inglaterra, por exemplo, pontuam nomes como Isak Hansen-Aarøen, Bryan Fiabema ou Oscar Bobb; pela Bélgica, nomes como Antonio Nusa (que ainda assim chegou a deixar marca na Eliteserien) ou Kristian Arnstad e, na Dinamarca, um nome brilha mais forte do que muitos outros: Andreas Schjelderup.

Com estreia feita na Superliga dinamarquesa aos 16 anos, Andreas Schjelderup foi uma das grandes revelações do futebol dinamarquês em 2021. O jovem extremo norueguês chegou ao FC Nordsjælland em julho de 2020 e não demorou muito a surgir na equipa principal dos Tigres, mais habituada a colocar debaixo dos holofotes grandes talentos locais e/ou africanos, e após um impacto arrasador ao serviço dos Sub-19 do clube. A promessa de futebol de primeira equipa foi determinante para a chegada de Schjelderup aos Tigres, conseguindo o Nordsjælland bater a feroz competição dos principais emblemas europeus, mas também de adversários locais, como o FC København. Para trás ficou uma formação feita ao serviço do Bodø/Glimt, onde é, hoje, considerado no clube bicampeão norueguês como o grande produto da sua formação.

Ainda com 17 anos, Andreas Schjelderup é já internacional Sub-21 pela Noruega, tendo feito história ao tornar-se no jogador mais jovem a marcar um golo pelo Nordsjælland na Superliga dinamarquesa tornando-se, então, o quarto mais jovem marcador da história da competição. Schjelderup caiu que nem um meteoro no seio do futebol dinamarquês e para muitos o nível demonstrado em tão tenra idade assemelhou-se fortemente ao demonstrado por um tal de Martin Ødegaard com a mesma idade. Para outros, aos 16 anos, Schjelderup estava mesmo num patamar superior ao do ídolo com a sua idade.

Com três golos e três assistências durante a segunda metade da temporada passada, Andreas Schjelderup assumiu-se como a grande revelação do futebol dinamarquês em 2021 e, já esta temporada, apesar do baixo nível coletivo apresentado pelo clube, igualou o número de golos marcados na anterior. Mesmo num contexto desfavorável e deslocado da sua melhor posição, Andreas Schjelderup vai compensando com inegável qualidade individual. Forte a jogar nos half-spaces, principalmente descaído para o corredor esquerdo (qual Eden Hazard norueguês), tem feito uso da inteligência posicional, irreverência e constante mobilidade para, mesmo entre os centrais adversários, jogando como avançado centro/falso nove, conseguir desequilibrar.

Pouca coisa é tão definidora da qualidade individual de um jogador que o facto do mesmo prosperar mesmo que incluído num contexto desfavorável. Ao colocar constantemente alguns dos seus principais valores em posições diferentes das suas melhores, o Nordsjælland fá-lo conscientemente, oferecendo aos seus atletas diferentes estímulos daqueles que teriam dentro da sua bolha de conforto. Os resultados desportivos até se podem ressentir disso, mas o Nordsjælland está no futebol para muito mais do que apenas três pontos em noventa minutos. Acima de tudo, o FCN é um clube formador. De futebolísticas, sim, mas, mais do que isso, de homens.

Em 2021/22, Andreas Schjelderup foi já médio centro e ponta-de-lança, mas raramente extremo esquerdo onde se sente mais confortável (ou, pelo menos, numa posição de apoio a um avançado de referência e em que possa explorar o espaço entrelinhas) e onde é mais diferenciador fazendo uso da criatividade, agilidade, capacidade de drible e inteligência espacial para desequilibrar. Muito forte a sair em drible do corredor esquerdo para o centro, em pequenas diagonais que lhe permitem explorar o pé direito e o bom remate que possui, Schjelderup é um extremo moderno que, mais do que a linha e o cruzamento, procura desequilibrar por dentro.

Criativo e imprevisível, Andreas Schjelderup é muito mais do que um jogador de definição. É um organizador de jogo que pauta os seus tempos. É forte a definir (tem uma das taxas de conversão mais altas da liga, 25%), mas também a associar com os colegas. Cria vantagens através do drible (muitas vezes ao primeiro toque retirando anulando adversários somente com a receção de bola) para depois os servir, e disso é sintomática a elevada taxa de acerto no passe que regista por esta altura (86,27%), mas também a média de passes para finalização por 90 minutos que regista. Poucos são os jogadores em toda a competição com maior taxa de acerto no passe, com mais passes para finalização e com mais passes criativos concretizados. Entre os sub-21 da liga dinamarquesa em 2021/22, Schjelderup tem dos melhores registos em matéria de dribles concluídos e de eficácia nesse parâmetro.

Tecnicamente irrepreensível, sempre com a bola colada aos pés e quase impossível de desarmar, também na finalização essa capacidade técnica salta à vista. Ao todo são seis golos apontados em pouco mais de 4 golos esperados. Fortíssimo no drible, primeiro toque e condução de bola, é quando não a tem que Schjelderup mais sofre. O défice físico dos 66 quilos aos 17 anos não lhe permitem ser particularmente eficaz nos duelos defensivos, demonstrando ainda assim disponibilidade para responder prontamente à perda de bola, ainda que demonstre menos agressividade em momentos de organização defensiva. Problemático como médio interior, mas menos em posições mais ofensivas de onde, diga-se, não devesse nunca sair.

Com uma capacidade técnica e decisória muito acima da média, Andreas Schjelderup não sai favorecido pelo contexto coletivo que encontra por esta altura em Farum, mas compensa-o com inegável e impressionante qualidade individual. Aos 17 anos perfila-se como uma das próximas grandes vendas da Superliga dinamarquesa e assusta o facto de ter já chegado a um patamar de grande relevância e sentir-se que ainda não teve a sua temporada de explosão. Com um potencial infinito, é na Dinamarca que está um dos talentos geracionais da Noruega.

Comentários

POSTS RELACIONADOS

{{posts[0].title}}

{{posts[0].date}} {{posts[0].commentsNum}} {{messages_comments}}

{{posts[1].title}}

{{posts[1].date}} {{posts[1].commentsNum}} {{messages_comments}}

{{posts[2].title}}

{{posts[2].date}} {{posts[2].commentsNum}} {{messages_comments}}

{{posts[3].title}}

{{posts[3].date}} {{posts[3].commentsNum}} {{messages_comments}}